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MU Online31 de maio de 20267 min de leitura

SQL Server 2014 para MU Online: o que instalar e o que ignorar

A tela de recursos do SQL Server 2014 tem 16 opções e você só precisa de 4. O que cada uma faz, quais marcar e como liberar a conexão depois de instalar.


Quem monta servidor de MU Online instala o SQL Server no automático, seguindo um tutorial que manda marcar isso e aquilo, e nunca descobre o que cada opção faz. Funciona, até o dia em que algo não conecta e ninguém sabe por quê.

Este guia percorre a instalação do SQL Server 2014 explicando cada escolha: o que marcar, o que ignorar e por quê. No fim, você toma a decisão sozinho em vez de copiar a lista de outra pessoa.

Conteúdo baseado no tutorial do canal Lab Mu, que detalha cada recurso da instalação.

Antes de tudo: o .NET Framework 3.5

O SQL Server 2014 exige o .NET Framework 3.5 ou superior. Sem ele, a instalação trava no meio, na verificação de requisitos.

Num computador comum, basta baixar o instalador na página oficial do .NET Framework 3.5 SP1 e seguir o processo normal, avançando até concluir. Numa VPS Windows Server, não é assim, e é justamente aí que a maioria empaca.

Como ativar na VPS

No Windows Server, o .NET Framework não se instala como programa, ele se ativa como recurso do sistema:

  1. Abra o Gerenciador do Servidor, o ícone de maleta na barra de tarefas
  2. Clique em Gerenciar e depois em Adicionar Funções e Recursos
  3. Avance mantendo Instalação baseada em funções ou recursos
  4. Avance de novo nas telas de seleção de servidor e de funções
  5. Na tela Recursos, procure Recursos do .NET Framework 3.5
Assistente de adição de funções e recursos do Windows Server com o .NET Framework 3.5 na lista

Marque a caixa e clique em Instalar. Ao terminar, feche as janelas. Só agora vale abrir o instalador do SQL Server.

A tela que define tudo: Feature Selection

Depois de avançar pelas telas iniciais do instalador, você chega na seleção de recursos. São 16 opções, e é aqui que os tutoriais divergem.

Tela Feature Selection do SQL Server 2014 com a lista de recursos disponíveis

Os quatro que você precisa marcar

Database Engine Services. É o coração do SQL Server. Sem ele não existe banco de dados para criar, restaurar ou gerenciar. Não é opcional.

Client Tools Connectivity. Instala os drivers e bibliotecas que permitem a comunicação externa com o seu SQL Server. É o que faz o site em PHP ou Laravel, o launcher e os editores fora da VPS conseguirem conectar.

Aquela reclamação clássica de "com o 2014 eu não consigo conectar de fora, nos outros funciona" quase sempre é essa opção desmarcada.

Client Tools Backwards Compatibility. Permite que componentes antigos do SQL Server funcionem na versão 2014.

Isso importa muito no MU Online, onde é comum usar emuladores e ferramentas criadas na época do 2000, 2005 ou 2008. Sem essa opção, ferramenta antiga simplesmente não conversa com o banco.

Management Tools (Basic e Complete). É a interface gráfica, o Management Studio. É aquela janela onde você faz login e cria, restaura ou edita o banco de dados.

Sem ela, a única saída é fazer tudo por linha de comando. Marque as duas.

Os que você pode ignorar

Nenhum dos itens abaixo tem uso real em servidor de MU Online. Vale saber o que fazem para você nunca mais ficar na dúvida:

SQL Server Replication. Sincroniza dois bancos de dados. A ideia é manter uma cópia atualizada e direcionar as consultas do site e do launcher para o banco secundário, aliviando o principal, que fica só com o jogo.

Faz sentido em operação com dezenas de milhares de jogadores. Nessa escala, a pessoa já saiu da VPS para um dedicado e refaz a estrutura de qualquer jeito.

Full-Text Search. Busca por palavras e frases dentro de textos longos guardados no banco, como o conteúdo de um documento. Nada disso existe num banco de MU.

Data Quality Services. Faz limpeza e padronização de dados. É ferramenta de ambiente corporativo.

Analysis Services. Cria cubos analíticos, que são versões resumidas do banco contendo só as informações que você configurar, para gerar relatórios.

Reporting Services Native. Gera relatórios acessíveis pelo navegador. Você criaria as regras e consultaria pelo IP e porta, como uma página web. É interessante no papel, mas exige programar as consultas e não é usado no MU.

Reporting Services SharePoint e o Add-in for SharePoint. Fazem a ponte com o SharePoint da Microsoft para gerar gráficos automaticamente. O primeiro é voltado para web, o segundo para intranet, aquele tipo de site que só funciona dentro da rede da empresa.

Data Quality Client. Ajuda os relatórios acima a padronizar dados inconsistentes. É o que faz o sistema entender que "SP", "São Paulo" e "Sao Paulo" são a mesma coisa em vez de três registros diferentes.

Integration Services. Ferramenta de ETL, ou seja, extração, transformação e carga de dados. Automatiza importação e exportação em grande volume entre bancos.

Client Tools SDK e SQL Client Connectivity SDK. Kits com bibliotecas e APIs para quem desenvolve programas que conversam com o SQL Server. Só faz sentido se você for programar essas integrações.

Documentation Components. Manuais de ajuda offline. Conteúdo técnico e denso, que a maioria nunca vai abrir.

Distributed Replay Controller e Distributed Replay Client. Simulam vários acessos simultâneos para testar até onde a máquina aguenta. É ferramenta de teste de carga, útil só em projeto muito grande.

Master Data Services. Cria um molde padrão da sua estrutura para que outras máquinas com SQL Server puxem a mesma configuração. É gestão de dados mestres em ambiente empresarial.

Configuração dos serviços

Na tela Server Configuration, existe um ajuste que vale fazer: mude o SQL Server Agent de Manual para Automatic.

Tela Server Configuration do SQL Server 2014 com o tipo de inicialização dos serviços

Assim ele sobe junto com a máquina, em vez de precisar ser iniciado na mão toda vez que a VPS reiniciar.

O SQL Server Browser pode continuar desativado, já que você não vai depender de descoberta automática de instância.

A senha do SQL Server

Na tela Database Engine Configuration, o instalador pergunta como o acesso será autenticado. Não deixe apenas Windows Authentication.

Escolha o modo misto e defina a senha do usuário sa. Duas razões:

  • É com esse usuário e senha que o site, o launcher e os editores externos vão conectar
  • Com autenticação por Windows, qualquer sessão do sistema pode alterar o banco. Com usuário e senha próprios, quem tentar invadir precisa saber os dois

Clique em Add Current User para adicionar o usuário da máquina como administrador do banco, e avance.

Guarde essa senha. Ela é a chave do seu banco de dados.

Revisão e instalação

Antes de instalar, o assistente mostra o resumo do que foi selecionado. Vale conferir se os quatro recursos estão lá.

Tela Ready to Install do SQL Server 2014 com o resumo dos recursos selecionados

Clique em Install e aguarde. O tempo varia bastante conforme a máquina, e é normal demorar.

Depois de instalar: liberar a conexão

A instalação terminou, mas o SQL Server ainda não aceita conexão de fora. Isso é feito no SQL Server Configuration Manager.

Abra o menu Iniciar, digite SQL Server Configuration, abra o programa e vá em SQL Server Network Configuration > Protocols for MSSQLSERVER.

Ative o TCP/IP

Clique com o botão direito em TCP/IP e ative. Depois abra as propriedades e vá na aba IP Addresses.

Propriedades de TCP/IP do SQL Server com a aba IP Addresses e a porta 1433

Habilite dois endereços:

  • O IP da sua VPS, que é o que permite a conexão externa
  • 127.0.0.1, que é o endereço local, usado pela comunicação interna da própria máquina

Os dois usam a porta 1433, que é a padrão do SQL Server.

Uma recomendação de ordem: mantenha a porta padrão agora. Suba o servidor, teste tudo, e só depois pense em trocar a porta. Mudar duas coisas ao mesmo tempo é a receita para não saber qual delas quebrou.

Ative o Named Pipes

Ainda na mesma tela, abra as propriedades de Named Pipes e mude de No para Yes.

Propriedades de Named Pipes do SQL Server com a opção Enabled definida como Yes

Esse é o detalhe que salva quem trabalha com emuladores antigos de MU Online. Vários deles usam um tipo de conexão que não é o padrão das versões mais novas, e sem o Named Pipes ativo o servidor simplesmente não liga.

Aplique as mudanças. O sistema vai pedir para reiniciar o serviço do SQL Server.

Primeiro acesso

Abra o SQL Server Management Studio pelo menu Iniciar.

Janela de conexão do SQL Server Management Studio com autenticação por usuário sa

Preencha assim:

  • Authentication: SQL Server Authentication
  • Login: sa
  • Password: a senha que você definiu na instalação

Conectou? O SQL Server está instalado e funcionando.

Falta um passo. Clique com o botão direito no nome do servidor, no topo da árvore à esquerda, e escolha Restart. Isso recarrega todos os serviços e aplica as alterações de protocolo que você fez no Configuration Manager.

Depois disso, é só criar ou restaurar o banco de dados do seu servidor.

Resumo

EtapaO que fazer
Pré-requisitoAtivar o .NET Framework 3.5 pelo Gerenciador do Servidor
RecursosDatabase Engine, Client Tools Connectivity, Client Tools Backwards Compatibility e Management Tools
ServiçosSQL Server Agent em Automatic
AutenticaçãoModo misto, com senha para o usuário sa
Após instalarAtivar TCP/IP, liberar o IP da VPS e o 127.0.0.1 na porta 1433
CompatibilidadeAtivar Named Pipes
FinalizarConectar pelo Management Studio e dar Restart no servidor

A vantagem de entender cada opção é essa: quando alguém mandar você marcar metade da lista, você vai saber o que não precisa e por quê.

O que vem depois

Banco de dados no ar é metade do caminho. A outra metade é a máquina que sustenta tudo isso.

Se você ainda está montando a estrutura, veja o que é uma VPS e como escolher o plano ideal. E antes de deixar a máquina exposta com o SQL Server aceitando conexão externa, vale passar por como manter a segurança da sua VPS, porque porta aberta na internet recebe tentativa de invasão todos os dias.

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